Crédito Bom vs Crédito Mau – Artigo de Ricardo Frade

Onde o rico e o pobre se afastam decididamente!

A generalidade dos portugueses passa a vida a amealhar (ou nem tanto!…) e a usar o dinheiro de seguida, amealhando e usando, amealhando e usando, amealh… perceberam, certo? E pelo meio, para apimentar as coisas, pedem um crédito, e pagam, e outro crédito, e pagam… e assim por diante. Chamamos-lhe um padrão em serra, pois ao longo da vida ganham e gastam, mas nunca aumentam significativamente o seu valor líquido.

Mas o que é que isto tem a ver com o crédito?
É simples: o crédito é um dos catalisadores do padrão em serra, porque as pessoas habituam-se a pagar a prestação e continuam a fazê-lo sempre, muitas vezes por coisas que não geram valor, são supérfluas e constituem apenas um devaneio pessoal. Este tipo de crédito é o que chamamos de “crédito mau”: gasta dinheiro por via dos juros, impede-o de poupar regularmente e contribui para que o seu valor líquido não saia da cepa torta. Só!…

Mas então o crédito é mau? Todo o crédito é mau?
É evidente que não, principalmente se falarmos de “crédito bom”, aquele em que usamos o “dinheiro dos outros” para gerar mais dinheiro para nós… Passo a explicar.

  1. Se temos uma empresa e um cliente encomenda um produto muito caro (para o qual não há liquidez), faz todo o sentido pedir o dinheiro emprestado ao banco, se vamos ganhar muito mais com a vendo do que pagamos de juros.
  2. Se comprar um apartamento usado para recuperar com 30% de desconto, pagando por ano 3% de juros, e o alugar por um valor que permita ganhar 8% do valor pedido, estou a ganhar dinheiro com o “dinheiro dos outros” (pago 3%, recebo 8% = ganho 5%).
  3. Se conseguimos um empréstimo com juros de 2,5%, e o investirmos em activos financeiros que nos rendam 6%, estamos a ganhar 3,5% com o “dinheiro dos outros”, o que é sempre fantástico porque temos rendimento… sobre coisa nenhuma! O que até pode ser menos arriscado do que investir só o nosso dinheiro e querer ganhar muito!…

Resumindo, crédito mau é o que só gera despesa e perdas, pois “come” o nosso dinheiro em passivos que, muitas vezes, são idiotas (precisa MESMO de mudar de carro de 2 em 2 anos?!); crédito bom é o que usamos para ganhar dinheiro com o “dinheiro dos outros”, seja em empresas, investimentos imobiliários ou financeiros. Mas atenção: se os investimentos não forem de qualidade (maus imóveis ou empresas mal geridas), se o risco for exagerado (só acções, por exemplo) ou se o timming não for bem estruturado (tudo ao mesmo tempo), os créditos bons podem escorregar para maus por força da instabilidade que criam.

Para que o nosso valor líquido cresça devemos, então, evitar o crédito mau e contrair apenas crédito bom, medindo bem o risco, o timming e a qualidade dos activos que estamos a comprar.

Entretanto envie as suas dúvidas financeiras para consultorfinanceiro.rf@gmail.com.

Artigo de Ricardo Frade

Consultor Financeiro, Autor do livro Pé Descalço, Orador e Personal Advisor.

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