Quero ter razão ou ser FELIZ? – O Coaching na Mediação de Conflitos

O conflito sempre fez parte da vida dos Seres Humanos e apesar de ser visto por muitos como algo negativo, os conflitos de ideias também são necessários, pois levam ao crescimento, expansão de mentalidade e desenvolvimento dos indivíduos.

O conflito ocorre quando percebemos que um ou mais dos nossos valores, necessidades ou aspectos de nossa identidade estão a ser desafiados e é aqui que começamos a experimentar pensamentos discordantes e respostas emocionais à outra ou outras pessoas, iniciando a viagem ao longo caminho do conflito, com uma conversa interna consciente ou inconsciente, que nos leva a experimentar a sensação de desconforto, irritação, preocupações, medos e outras experiências de provocação.

No entanto, as nossas percepções são a NOSSA realidade pessoal e não existe certo ou errado sobre a forma como nós experimentamos os nossos conflitos e disputas.

Se fomos ofendidos em alguma coisa importante para nós, experimentamos um efeito emocional, que pode ser a raiva, a humilhação, a mágoa, a decepção, a culpa e outros tipos de sentimento. Por isso, a importância de conhecermos a nossa reação interna perante um conflito, para que possamos entender melhor as nossas sensibilidades e como elas se relacionam com o gatilho ou ponto de disparo específico, que instala o conflito.

Mais forte do que ter a sensação de não ser atendido nas nossas necessidades, valores e identidade, é a deterioração das nossas capacidades de julgamento, comunicação racional e pensamento. A má gestão das emoções experimentadas pela sensação de conflito, levam a outras repercussões, como falta de confiança e baixa auto estima, levando-nos muitas vezes a agir de forma dissonante.

A neuro ciência explica muito bem, como esta acção se processa no nosso cérebro, através da ideia do cérebro triuno.

No nosso cérebro primitivo, é onde se encontra o sistema límbico. É a área que responde por impulso, mas é também a área que nos permite responder às necessidades básicas, como respirar, pestanejar, etc. É onde se arquivam as memórias sensoriais e vivem as emoções. Quando agimos sem pensar a responsabilidade é toda desta área. Por isso, os nossos limites variam amplamente e são naturalmente subjetivos.

Ao percebermos uma ameaça, parte do cérebro a “amigdala”, sinaliza uma resposta ao stress que inclui a libertação de cortisol, que é parte da resposta de luta ou voo do sistema nervoso simpático.

O efeito de tal resposta inclui uma redução na resolução de problemas, tomada de decisão, motivação e outras funções principais do cérebro.

Daniel Goleman, no seu livro Inteligência Emocional, refere que nestas situações há partes do raciocínio, da decisão e da capacidade de resolução de problemas pelo córtex pré-frontal, que são comprometidas porque excitação da amígdala reduz o fluxo de energia para esta parte do cérebro. Por isso, o stress contínuo inibe o funcionamento cognitivo, incluindo a memória de trabalho, reduz a capacidade de processar e armazenar informação.

Neste estágio do conflito, se nós estamos a reagir impulsivamente ou fisiologicamente, é comum que o nosso corpo, rosto, postura e ações demonstrem as nossas emoções. Mesmo sem expressar verbalmente o que sentimos, muitas vezes é evidente para qualquer observador, que existe desconforto ou discórdia em relação a um assunto ou pessoa.

Estas reações externas são as que mais perpetuam o desenvolvimento do conflito, pois de forma rotineira utilizamos os nossos padrões habituais de conflito, que são activados quando somos provocados.

Quando somos capazes de ficar para trás e observar esta sequência, a consciência que ganhamos é crucial para a compreensão de nós mesmos em situação de conflito, mas também para compreender o outro e os seus pontos de vista.

Podemos assim perceber que as emoções são uma das principais dimensões do conflito e contraria-las nem sempre é fácil ou possível.

Por isso, quando estamos realmente empenhados em resolver o conflito, devemos, ao contrário de colocar o foco nos problemas (onde nos focamos naquilo que não está bem), colocar o nosso foco nos objectivos que temos para aquela relação.

Os objectivos têm o poder de nos ajudar a focar naquilo que podemos fazer no presente para alcançar o melhor no futuro.

Aqui reside a potencialidade do coaching e da mediação de conflitos, que apoia o cliente na reflexão sobre o estado das coisas, ou seja a situação actual, definindo estratégias e metas para alcançar o estado desejado.

Como diz filósofo francês Jean-Paul Sartre “Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.”. Não podemos alterar o passado, mas conseguimos mudar os efeitos que este tem sobre nós. Fazer o presente de acordo com as nossas escolhas e desenhar o futuro desejado.

Não temos o controlo de todas as coisas a nossa volta, mas temos a escolha do que focamos e da forma como nos focamos.

 

Sofia Cid – Coach e Mediadora Familiar

Clínica Uno

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